Abrir a lista de jogos da série The Legend of Zelda pela primeira vez é como entrar em uma biblioteca enorme sem saber por onde começar, e aqui no Gamer das Antigas, essa é, de longe, a pergunta que mais chega dos leitores novos na franquia. São mais de 30 títulos, contando jogos principais, remakes e spin-offs, espalhados por quatro décadas. A cronologia oficial abrange diferentes eras e linhas temporais, além de remasters e experiências paralelas. Parece muita coisa, mas a boa notícia é que você não precisa entender tudo isso para descobrir por onde começar Zelda.

Zelda foi construída com uma estrutura episódica. Cada jogo conta uma história própria, com seu próprio Link, sua própria Zelda e seu próprio Hyrule. Isso significa que a melhor entrada na série depende muito mais do seu perfil como jogador do que da ordem cronológica dos jogos. Este guia vai te ajudar a encontrar o ponto de entrada certo, sem pressão e sem spoilers.

A série tem décadas de história: entenda o básico antes de escolher por onde começar Zelda

A Nintendo publicou a cronologia oficial de Zelda no livro Hyrule Historia (2011), organizada em blocos: uma era de origem anterior a Ocarina of Time, três linhas temporais que se ramificam a partir desse título, e uma era mais recente formada por Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. Nessa era mais recente, os eventos dos jogos anteriores tornaram-se mito dentro do próprio universo, o que a torna fascinante para fãs e completamente acessível para quem está chegando agora. Conhecer essa estrutura é gratificante, mas não é pré-requisito para jogar bem qualquer título.

Independentemente da linha temporal, todos os jogos da série compartilham os mesmos pilares: exploração, resolução de puzzles em dungeons, combate e uma trilha sonora inesquecível. Personagens como Link, Zelda e Ganon aparecem em diferentes encarnações ao longo dos jogos, e cada título reintroduz esses elementos sem exigir que você conheça os anteriores. Isso torna a série acessível em qualquer ponto de entrada. A escolha, então, é sobre o que você quer sentir primeiro.

Por onde começar Zelda se você prefere ação, liberdade e o mais moderno

Breath of the Wild é a escolha ideal para quem quer começar por um Zelda com mundo aberto, mecânicas intuitivas e total liberdade de exploração. O jogo reapresenta os símbolos da franquia de forma acessível: você não precisa saber nada sobre cronologia para entender e aproveitar a história. A curva de aprendizado inicial é suave, e a estrutura não-linear permite que você explore no seu ritmo, aprendendo por experimentação.

Vale saber que Tears of the Kingdom é uma continuação direta de BotW e deve ser jogado na sequência. Ele expande o mapa, as mecânicas e a narrativa do jogo anterior, além de trazer flashbacks que constroem um contexto mais antigo de Hyrule. Começar por TotK sem ter jogado BotW é possível, mas você vai perder referências importantes da trama. A ordem recomendada para esse perfil é clara: BotW primeiro, TotK depois.

Um ponto de atenção para quem começa pela era moderna: esses dois jogos carregam uma identidade muito particular dentro de uma série muito mais longa e variada. Você vai curtir muito, mas pode ficar com a impressão de que Zelda “sempre foi assim”. Depois de terminar os dois, vale explorar um título clássico para entender o quanto a franquia mudou ao longo das décadas.

Comece por BotW se…

Você prefere explorar sem roteiro fixo, gosta de resolver situações de forma criativa e quer uma experiência que prende sem exigir familiaridade com a série. É o melhor ponto de entrada para quem vem de jogos de mundo aberto contemporâneos.

Para quem quer narrativa forte e o DNA clássico da série

Ocarina of Time é o título mais indicado para quem quer experimentar a fórmula clássica de Zelda em 3D: dungeons bem construídas, uma história com peso emocional e mecânicas que definiram o padrão da série por décadas. O jogo é também o ponto central da cronologia oficial, e entender a estrutura a partir dele dá contexto para vários títulos que vêm depois. A melhor forma de jogá-lo hoje é a versão para Nintendo 3DS, que moderniza interface e visual sem alterar a experiência do original.

Para quem prefere algo mais compacto, Link’s Awakening (disponível no remake para Nintendo Switch) é uma das entradas mais acessíveis da franquia. A história é emocionalmente marcante, os puzzles são bem calibrados e o ritmo do jogo é ágil. É um título que captura o espírito de aventura e descoberta que define Zelda sem exigir muito tempo de adaptação, ideal para quem está testando a franquia pela primeira vez e quer sair com a certeza de que quer mais.

Por onde começar Zelda se você prefere 2D ou quer seguir a ordem cronológica

Se você tem interesse nos clássicos 2D, A Link to the Past é o melhor ponto de partida. O jogo representa com clareza o que a série é no formato de cima para baixo: exploração fluida, dungeons memoráveis e uma narrativa direta. Ele está disponível via Nintendo Switch Online para quem tem assinatura e é uma das experiências mais completas do Zelda em 2D. Evite começar pelo Zelda original de NES ou por Zelda II: ambos têm uma curva de dificuldade pouco amigável para quem está chegando agora na franquia.

Quem quiser seguir a ordem cronológica oficial começa por Skyward Sword, que narra a origem da Master Sword e o início da história de Hyrule. A versão HD para Nintendo Switch é a mais acessível hoje, com controles atualizados e visual polido. Vale saber, porém, que seguir a ordem cronológica é uma abordagem voltada a fãs já familiarizados com a série, não necessariamente a iniciantes: Skyward Sword tem uma estrutura mais linear e tutorializada que pode frustrar quem está chegando sem referência prévia de como a série funciona.

Jogos de Zelda que iniciantes devem deixar para depois

Majora’s Mask, Oracle of Ages e Oracle of Seasons são títulos excelentes, mas exigem familiaridade com as mecânicas da série para serem aproveitados de verdade. Majora’s Mask, em especial, tem um sistema de loop de tempo que pode ser frustrante sem paciência ou sem referência prévia de como Zelda funciona. São jogos para a segunda ou terceira jornada na franquia, quando você já tem o vocabulário da série.

The Legend of Zelda de 1986 é um marco da história dos videogames, mas jogá-lo hoje sem guia é uma experiência de alto atrito. O design é propositalmente opaco para os padrões atuais, reflexo de uma época em que o desafio vinha justamente da falta de orientação. Ele vale como curiosidade histórica, disponível no Nintendo Switch Online, mas não como primeira experiência com a franquia. Vale conhecer o contexto histórico antes de mergulhar nele.

Onde jogar cada título recomendado hoje

Para quem tem um Nintendo Switch, as opções são sólidas. Link’s Awakening (remake), Echoes of Wisdom e Skyward Sword HD estão disponíveis para compra direta via eShop. Breath of the Wild e Tears of the Kingdom ganharam edições otimizadas para o Nintendo Switch 2, mas funcionam perfeitamente no Switch padrão também, são os títulos mais fáceis de acessar hoje, sem precisar de hardware adicional.

Com a assinatura do Nintendo Switch Online e o Pacote de Expansão, você acessa A Link to the Past (SNES), o Zelda original de NES, Ocarina of Time, Majora’s Mask e The Wind Waker (GameCube). São opções interessantes para explorar o catálogo clássico sem gastar com hardware retro. Para iniciantes com Switch em mãos, a combinação mais prática é começar por BotW ou Link’s Awakening e usar o Switch Online para explorar os clássicos depois.

Se você prefere o caminho clássico em hardware original, Ocarina of Time 3D no Nintendo 3DS continua sendo uma das melhores formas de jogar esse título, com melhorias que facilitam a experiência sem comprometer o que faz o jogo ser especial. Para colecionadores, exemplares do cartucho de SNES de A Link to the Past podem ser encontrados em marketplaces de colecionismo e lojas especializadas, e aqui no Gamer das Antigas temos um guia completo sobre como avaliar e comprar cartuchos vintage com segurança.

O jogo certo é o que faz você querer continuar

Se você ainda tem dúvida sobre por onde começar Zelda, lembre-se: não existe uma resposta única, existe a resposta certa para o seu perfil. Quer ação e liberdade total? Breath of the Wild é o ponto de partida. Prefere narrativa clássica com dungeons bem construídas? Ocarina of Time ou Link’s Awakening entregam exatamente isso. E se a ordem cronológica oficial te interessa, Skyward Sword HD é onde a história de Hyrule tem início.

O mais importante é começar sem pressão de ordem ou de completar tudo. Qualquer um desses títulos vai te mostrar por que a série existe há mais de quatro décadas, desde 1986, e por que ela ainda é referência em design de jogos. Depois que você escolher seu jogo de estreia, o Gamer das Antigas tem análises aprofundadas de cada título recomendado aqui, com comparações entre versões originais e remakes, contexto histórico e muito mais para quem quer se aprofundar de verdade na franquia. A biblioteca está aberta.


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